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Morre professor Ederson Mota, referência em Língua Portuguesa

Ele estava internado na ala covid-19 do HSCC há uma semana

Ederson, com a esposa Marli/Facebook/Reprodução

Morreu no começo da tarde deste sábado, dia 1º, o professor Ederson Luiz Matos Mota, referência em Língua Portuguesa na região de Canoinhas. Ele estava internado desde sábado, 25, na ala covid-19 do Hospital Santa Cruz de Canoinhas. Ederson vinha de uma série de problemas de saúde agravados com o diagnóstico de covid-19. O professor, que passou por diversos colégios da região deixa a esposa, três filhos e sete netos.

Ele era formado em Letras pela PUC de Curitiba, professor por anos dos Colégios Santa Cruz e Sagrado Coração de Jesus, entre muitas outras escolas, um dos responsáveis pela implantação do curso de Pedagogia na Universidade do Contestado (UnC), onde lecionou por mais de 30 anos, além de muitas outras atividades ligadas a área de educação.


RAÍZES

Ederson nasceu em Três Barras. Seus pais, no entanto, tiveram origens diferentes, mas que culminaram na cidade que até a Guerra do Contestado pertencia ao Estado do Paraná.

Os Matos, família de sua mãe, Izabel, hoje com 98 anos, chegaram em Canoinhas no final do século 19 e se fixaram na localidade de Taunay. "Foram alguns dos primeiros habitantes da região", contou Ederson ao jornal Correio do Norte em entrevista publicada em 2005. Izabel foi a terceira professora da localidade.

Já a família do pai de Ederson, os Mota, vieram da Alemanha e fixaram-se em Três Barras, quando ainda era cidade paranaense. O motivo não poderia ser outro senão a existência da imponente Lumber, madeireira norte-americana que era a principal fonte de renda da região. O bisavô de Ederson, Friedrich Jensen, entendia como poucos da fabricação de barcos e navios. Foi contratado pela Lumber para escolher peças de madeira para a fabricação de navios. Essas peças eram exportadas para a Europa.

O avô de Ederson, Casemiro, era agente da Rede Ferroviária, que passava por toda a região. Seu pai, que também se chamava Casemiro, a exemplo de Friedrich, trabalhou na Lumber, na fabricação de caixas.

Izabel conheceu o pai de Ederson, em Três Barras, quando foi transferida para a Escola General Osório, obrigando-se a se mudar para o então distrito de Canoinhas.


EDUCAÇÃO

Apaixonado por educação, Ederson lamentava a lacuna deixada pela Lumber nesse aspecto. "Não era interessante para eles educar mão de obra", contou. Dessa forma, se estabeleceu na região, o que o professor chamava de "um regime medieval de ensino". A família Porta, por exemplo, que veio da Itália para se estabelecer no Rio do Pinho, contratou uma professora italiana para educar suas crianças. Existiam escolas alemãs, polonesas, ucranianas, enfim, cada origem estava representada por sua escola.

Essa forma de educar perdurou até a década de 1940, quando durante a 2.ª Guerra Mundial, era proibido se falar alemão no Brasil. Para Ederson, a educação segmentada provocou a fragmentação de nossa identidade.

"Durante o período getulista, meu avô tinha um rádio. Certa vez, militares invadiram sua casa para saber se ele estava sintonizado em alguma rádio alemã.", contou na mesma entrevista ao Correio do Norte.

O atraso no sistema educacional da região, provocou a saída de grande parte dos jovens que não conseguiam estudar na região, além do ensino fundamental. "Muitos foram e não voltaram", lembrava. Ederson voltou. Depois de cursar o ensino médio e superior em Curitiba e trabalhar como militar da Força Aérea Brasileira por oito anos onde atuou como instrutor nas Escolas Militares de Curitiba e Porto Alegre, Ederson decidiu voltar para sua terra.


LEMBRANÇAS

Como grande entusiasta da educação, o professor guardava boas lembranças de um passado que inspirou muito mais cultura na região. "Era muito convidativo morar aqui", contou na entrevista ao Correio do Norte recordando dos três cinemas que existiam em Canoinhas por volta da década de 1950, da Biblioteca Infantil de Canoinhas (BIC), comandada por Frei Elzeário Schmitt e concertos em praça pública promovidos pela Lumber. "Respirava-se um ambiente cultural adequado e agradável. Tínhamos segurança também. Nossos pais não tinham medo de que fôssemos assaltados ao sair para se divertir, ou que experimentássemos drogas", lembrava. Como a cidade era pequena e todo mundo conhecia todo mundo, "dificilmente um comerciante venderia bebida alcoólica para um menor", recordava.

O corpo de Ederson foi sepultado no Cemitério Municipal de Canoinhas. Por causa da pandemia e por ele portar o coronavírus não houve velório.


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