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Médico é preso por falsidade ideológica

Ele foi enquadrado ainda por exercício ilegal da profissão; Cubano, ele não tem autorização para trabalhar no Brasil, diz CRM

EDINEI WASSOASKI
Hospital de Três Barras

 O médico Ismael de Jesus Sanches Charquille foi preso anteontem em flagrante atendendo a pacientes do Pronto Atendimento (PA) de Três Barras. Segundo a Polícia Civil, o cubano é formado em Medicina em seu país de origem, mas exercia ilegalmente a profissão no Brasil.

Ismael usava documentos de um médico de Guarapuava-PR. A denúncia partiu do Conselho Regional de Medicina (CRM), que desconfiou da idade do médico na carteira de identificação. O médico de Guarapuava, Luis Tapia Gusman, tem 65 anos, enquanto Charquille aparentava bem menos idade.
Segundo o delegado do CRM em Canoinhas, Dr. Wagner Trautwein, ele mesmo falou com Gusman, que ficou indignado ao saber que sua identidade profissional estava sendo usada na região. “É importante que as pessoas desconfiem quando acham o comportamento do médico estranho e peçam a identidade profissional”, frisou Trautwein.
 
SURPRESA
Trautwein disse ontem que ultimamente muitos médicos de fora têm vindo fazer plantão nos PAs da região. “Para exercer a função em Santa Catarina, o médico tem de estar registrado no Conselho Regional do Estado.”
No caso de Ismael, a denúncia começou nesse quesito, já que seu CRM era do Paraná.  “Entramos em contato com o Dr. Gusman em Guarapuava e pra nossa surpresa, ele nos contou que nunca esteve em Três Barras. Imediatamente acionamos a Delegacia de Três Barras.” Para Trautwein, Ismael é um falso médico. Ele orienta que pacientes que tenham dúvidas sobre a idoneidade dos médicos, que procure o CRM, que tem, inclusive, escritório em Canoinhas.
O comissário Luiz Rosa Peres disse que é importante frisar que Ismael é médico, mas exercia a profissão ilegalmente. Trautwein, no entanto, diz que Ismael não apresentou nenhum documento que atestasse que ele é realmente formado em Medicina. “No Brasil ele não pode ser considerado médico”, afirma.
Ismael foi levado à Unidade Prisional Avançada de Canoinhas (UPA). O Diário tentou entrevistá-lo na prisão, mas ele se recusou a conversar com a reportagem. Ele deve ser solto hoje pela manhã depois que seu advogado pagar a fiança de cinco salários mínimos arbitrada ontem à tarde pelo juiz criminal Bernardo Augusto Ern.
Ismael vai responder ao processo em liberdade, mas se condenado, pode pegar até três anos de prisão pelos crimes de falsidade ideológica e exercício ilegal da profissão.
 

Empresa diz que responsabilidade é da prefeitura de Três Barras

 
O Diário tentou contato ontem à tarde com a Clínica Médica São Mateus do Sul, responsável pela contratação de Ismael. No Pronto Atendimento, a reportagem conseguiu o número do telefone celular de um médico identificado apenas como Dr. Henrique, que seria sócio do dr. Eduardo Pedroni na Clínica. Henrique negou que tenha responsabilidade pela empresa. Bastante confuso, ele disse que é apenas um médico plantonista e que a responsabilidade pela contratação do médico é da prefeitura.
Prefeito de Três Barras, Elói Quege (PP), confirmou em seguida que Henrique é responsável pela contratação dos médicos que atuam no PA. “Essa empresa tem um contrato com a prefeitura. Eles fazem a escala, eles são responsáveis. Esse médico (Ismael) veio para substituir outra médica que faltou a escala e a empresa não sabia que seus documentos eram falsos”, conta. Quege disse ainda que conversou com o médico, que lhe garantiu que ele é formado em Medicina. “Mas não posso afirmar que ele é médico”, disse.
Quege disse que vai pedir explicações à empresa. “Não acho que houve maldade por parte da empresa, mas é nossa obrigação cobrar explicações.”
 

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