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Hospital Santa Cruz completa 72 anos

Depois de crises, hospital é referência em atendimento e qualidade

Fábio Rodrigues

 

Nas Décadas de 1910 e 1920 dona Tereza Gobbi era dona de um hotel chamado Hotel Gobbi, próximo a estação ferroviária de Canoinhas, em Marcílio Dias. O Hotel Gobbi ficava às margens da linha férrea e atendia as pessoas dos trens fornecendo-lhes marmitas e, assim, Tereza tornou-se conhecida e popular naquela freguesia.

Certo dia ocorreu um acidente com um guarda e ele ficou muito machucado, necessitando ser hospitalizado. Muito prestativa, ela e seu filho Pedro, junto com outras pessoas, improvisaram uma maca feita com lençóis para poder transportar o acidentado para Curitiba. Um dia de viagem.

Surgiu então a idéia de fazer campanhas para a construção de um hospital em Canoinhas. Tereza apoiou a ideia do filho e levou adiante os propósitos para angariar recursos.

Ela transmitiu suas intenções ao Dr. Oswaldo de Oliveira, médico conceituado e conhecido na localidade, que apoiou a iniciativa. Depois de solicitar apoio das autoridades e de toda a comunidade, Tereza organizou diversas reuniões e montou uma diretoria. Arrecadou donativos e fez a primeira festa em prol da construção do hospital. Além da festa, várias campanhas foram realizadas para a arrecadação.

Tereza, através do seu guarda-livros, Alfredo Lepper, redigia e enviava cartas a indústrias importantes de São Paulo para conseguir donativos. Confeccionou os primeiros lençóis do hospital com tecidos doados.

O terreno foi doado por Victor Soares de Carvalho e as obras começaram assim que o valor necessário foi arrecadado.

Finalmente aos sete dias do mês de março de 1939, com a presença do Nereu Ramos e a sua comitiva, foi inaugurado às 9h o Hospital Santa Cruz de Canoinhas (HSCC), sendo o primeiro diretor o Dr. Oswaldo de Oliveira.

A partir de então o HSCC tornou-se a única alternativa para atendimento da população dos municípios de Canoinhas, Major Vieira, Três Barras, Papanduva, entre outros, que passaram a procurá-lo pela qualidade de seu atendimento.

Nossos primeiros médicos foram: Dr. Oswaldo de Oliveira, Dr. Oswaldo Segundo de Oliveira, Dr. Clemente Procopiack, Dr. Reneau Cubas e Dr. Haroldo Ferreira.

Com o passar do tempo, o aumento da população e conseqüentemente da clientela, fez com que as ampliações do HSCC ocorressem em diferentes épocas. Na década de 80 percebeu-se que ampliações não eram viáveis e haveria necessidade de se construir um novo hospital, adequando-se às normas técnicas do presente e garantindo um melhor atendimento a população.

Em 27 de junho de 1988, foram organizadas as comissões para a construção do novo hospital de canoinhas.

Em 16 de agosto de 1991 foram recebidas propostas para a construção do Bloco A. A partir daí iniciou-se a construção.

O HSCC é uma instituição filantrópica, de utilidade pública, municipal, estadual e federal. Possui 116 leitos, 53 quartos, 10 leitos na UTI, centro cirúrgico com 3 salas, centro obstétrico com 2 salas e sala de recuperação com 5 leitos, 180 colaboradores e um corpo clínico formado por 44 profissionais. Entre eles, profissionais nas especialidades: Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Ortopedia e traumatologia, Obstetrícia, Pediatria, Cardiologia, Angiologia, Otorrinolaringologia, Oftalmologia, Anestesia, Neurologia, Radiologia e Urologia.

Em 2010 foram internados, em média, 500 pacientes ao mês. Desse total, 85% usuários do Sistema Único de Saúde, representando 72 % do faturamento do hospital. Atende os municípios de Canoinhas, Major Vieira, Três Barras, Papanduva, Irineópolis, Monte Castelo, Matos Costa, Bela Vista do Toldo, Calmon, Timbó Grande e São Mateus do Sul.

 

Sonho de criança

Na cantina do HSCC, Olga Teodorovitz. Enfermeira, 61 anos. Em maio completa 26 anos de trabalho na instituição. Começou trabalhando na higienização e depois de 11 meses, após fazer alguns cursos, passou para a Enfermagem. Especializou-se em Hemoterapia.

Ela conta que o hospital mudou bastante e que teve épocas difíceis. “O pagamento chegava a sair no dia 20 do mês seguinte”, lembra.

Segundo ela, a estrutura melhorou. Nem cantina existia. Os funcionários faziam o próprio lanche, pois não havia quem fizesse.

No entanto, Olga conta que, quando era criança, via as freiras e as mulheres de branco e sonhava em trabalhar no hospital. “Mas quando entrei aqui, imaginei que não ficaria nem três meses e estou há quase 26 anos”. O hospital era bem pequeno a ponto de a violência na cidade parecer maior. “Trabalhei no ambulatório, vi muitas situações de desgraça. Tinha que agüentar”, diz.

Olga ainda recorda que eram apenas seis quartos, mas que era um tempo bom. “Sempre fomos muito unidos”, explica.

Sobre o trabalho, Olga fala com entendimento. “Tem que passar por cima de muitos preconceitos, tratar todos iguais, com a mesma atenção, o mesmo atendimento. Cuidar dos doentes e saber como não levar para casa os problemas, diferenciar os ambientes. Sabe, muitas pessoas entraram em depressão por não se desligarem das coisas que vêem aqui”, conta.

Como funcionária, Olga está contente. “Ainda estamos em um momento de adaptação, mas está bem melhor que antes”, sorri.

Para ela, o Hospital Santa Cruz é uma vitória para Canoinhas, afinal é mantido com a colaboração da comunidade, em especial.

O telefone toca. O dever chama e Olga precisa deixar a entrevista. Mas as memórias ainda continuam.

 

Nunca imaginei

Tereza Cardoso de Brito, Tere, 56 anos, aposentada há 13. Ainda trabalha no hospital. No total, 33 anos. Insiste em continuar trabalhando porque gosta.

Da mesma forma, Tere lembra as dificuldades enfrentadas. Do tempo em que as seringas eram de vidro, agulhas, luvas e ataduras eram lavadas, aspiradas, esfregadas e reaproveitadas. “Alguns dias nem uma roupa de cama decente podia ser ofertada ao paciente. Fazíamos tudo como dava”.

Na época em que o Centro Cirúrgico e o Ambulatório ficavam no atual Pronto Atendimento, cinco enfermeiras trabalhavam durante o dia e três à noite na Pediatria, ala em que trabalha. Hoje é uma funcionária apenas.

Tere fala sobre um dia em que chegou ao trabalho e havia 52 crianças para atendimento na Pediatria, pois muitos vinham do interior do município por causa da falta de Postos de Saúde. “Antes, algumas crianças era internadas e já iam a óbito. Hoje os pais são bem orientados”, comenta.

Tere retoma o que Olga comentou: a união da equipe. “Éramos jovens e tínhamos mais disposição”.

Para quem trabalhava no interior, trabalhar em um hospital era algo inimaginável. Hoje, se emociona por fazer parte da história dos 72 anos do HSCC. “É um orgulho”, diz. “É claro, vivenciamos coisas tristes e alegres. Da mesma forma, quando vemos óbitos, ficamos tristes, mas quando o paciente melhora, ficamos alegres”, conclui.

 

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